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A difícil arte de permanecer

A família continua sendo o primeiro lugar onde aprendemos quase tudo sobre a vida. É ali que descobrimos o que é cuidado, responsabilidade, limite e perdão. Ainda assim, os números mostram que manter um casamento hoje tem sido um desafio cada vez maior.

Dados recentes do IBGE apontam que, em 2024, o Brasil registrou mais de 428 mil divórcios. Mesmo com pequenas oscilações ao longo dos anos, o volume permanece elevado e revela algo que vai além das estatísticas: muitos casais estão encontrando dificuldade para sustentar o compromisso que um dia assumiram.

Chama atenção também o tempo de duração dos casamentos que chegam ao fim. Uma parte significativa das separações acontece nos primeiros anos de união. Isso indica que não se trata apenas de crises acumuladas ao longo de décadas, mas de uma dificuldade concreta de atravessar as primeiras frustrações, as diferenças e o peso da rotina.

Talvez a pergunta não seja apenas “por que os casamentos acabam?”, mas “o que estamos entendendo hoje por compromisso?”. Vivemos em uma cultura que valoriza o imediato. Se algo não funciona, substitui-se. Se exige esforço demais, abandona-se. Essa lógica, quando aplicada aos relacionamentos, enfraquece aquilo que deveria ser construído com tempo, paciência e maturidade.

Há também uma mudança silenciosa na forma como o matrimônio é percebido. Para muitos, deixou de ser uma vocação para se tornar apenas uma experiência afetiva enquanto gera satisfação. Quando a relação passa a exigir renúncia, diálogo e perseverança, cresce a sensação de que talvez seja mais simples desistir.

A verdade é que amor duradouro não se sustenta apenas em sentimentos. Ele exige decisão. Exige responsabilidade. Exige constância. E essas virtudes nem sempre encontram espaço em uma sociedade que privilegia a autonomia individual acima de qualquer vínculo permanente.

A tradição cristã sempre apresentou o matrimônio como algo maior do que um contrato social. Trata-se de uma aliança que envolve liberdade, responsabilidade e também a dimensão espiritual da vida. O sacramento não elimina as dificuldades, mas oferece graça para atravessá-las. Ele recorda que o amor precisa ser renovado nas escolhas diárias.

Outro ponto que merece reflexão é o papel do homem dentro da família. Muitos cresceram sem referências claras de paternidade presente e comprometida. Sem modelos consistentes, torna-se mais difícil compreender o próprio lugar como esposo e pai. E quando essa identidade se enfraquece, toda a estrutura familiar sente os efeitos.

Não se trata de idealizar um passado que nunca foi perfeito. Toda família enfrenta desafios. Mas o compromisso exige maturidade. Fidelidade exige perseverança. Perdão exige humildade.

Talvez um dos maiores desafios do nosso tempo seja reaprender o valor do “para sempre”. Não como peso, mas como escolha consciente. Não como imposição, mas como construção diária.

Falar sobre matrimônio e família não é apenas uma pauta religiosa. É uma questão humana e social. Quando os vínculos se fortalecem, a sociedade se fortalece junto. Quando se rompem com facilidade, todos experimentam as consequências.

Em meio a tantas rupturas, voltar a falar de permanência não é nostalgia. É necessidade.

 

Texto: Rose Faust, Equipe Kolbe Arte; Imagem slider: Freepik

 

Assista: “O Guardião – Sob a Proteção de São José”

Sinopse:

Uma violinista talentosa e seu marido, jornalista de rádio, atravessam uma profunda crise conjugal, marcada pelo desgaste da convivência e pelas dificuldades financeiras que fragilizam a vida familiar. As ausências, frustrações e conflitos silenciosos colocam em risco não apenas o casamento, mas o futuro do filho e a estrutura que construíram ao longo dos anos. Ao assumir uma investigação jornalística, ele entra em contato com relatos reais de pessoas que atribuem a São José mudanças significativas em suas vidas.

Esses testemunhos, marcados pela discrição e pela força do cotidiano, o conduzem a uma reflexão sincera sobre sua responsabilidade como esposo e pai. Esse caminho interior o confronta com escolhas que exigem maturidade, presença e compromisso. Diante de um momento decisivo, surge a pergunta central que atravessa o filme: será capaz de assumir o papel de guardião de sua família?

Inspirado em histórias reais, “O Guardião – Sob a Proteção de São José” combina ficção e depoimentos autênticos para abordar temas como paternidade, vocação, fé e restauração dos vínculos familiares, propondo uma reflexão sensível e atual sobre o papel do homem na família e a ação silenciosa de São José na vida das pessoas.

 

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