
Mais de 10 mil jovens, entre 18 a 25 anos, serão batizados na França durante a Páscoa, um recorde para a Igreja nos últimos 20 anos.
No último dia 11 de abril, sites de notícias católicos divulgaram que 10.384 pessoas receberão o batismo na França durante a Páscoa deste ano, a maioria na faixa etária de 18 a 25 anos. Um marco histórico desde que a contagem de fiéis foi instituída, há 20 anos. Esse acontecimento, celebrado durante a Páscoa, representa para a Igreja mais do que números, indica uma vitória para a fé em meio a perdas significativas que acontecem no País, para o catolicismo, desde a Revolução Francesa (1789 – 1799). Um número expressivo, que revela um novo movimento de retorno à fé em um dos países mais simbólicos da cristandade e da modernidade ocidental.
A Revolução Francesa implantou o laicismo – separação do Estado da religião -, às custas de sangue de muitos religiosos e fieis católicos, e como herança, deixou uma França de fé saqueada. Em 2019, por exemplo, quando a emblemática catedral de Notre Dame foi consumida em chamas, era comum muitos lamentarem a perda histórica em detrimento do lastimável abalo para a fé. Na época, a cada uma semana um templo religioso sumia, e entre eles, estavam os templos católicos.
Paralelo a isso, a estatística sobre o número de ataques aos cultos católicos também aumentava. Em 2008, a central de inteligência criminal da França havia registrado 219 ataques às igrejas católicas durante o culto. Um dos mais tristes e emblemáticos aconteceu na Normandia, norte da França, em 2016, com o assassinato do padre Jacques Hamel, de 84 anos, durante a missa. Em 2018, um ano antes do incêndio de Notre Dame, os números de ataques aos templos subiram de 219 para 877. No país da liberdade, fraternidade e igualdade, que adotou o laicismo como princípio, a fé voltava a ser perseguida, tal como na época da sangrenta revolução, quando as igrejas foram fechadas, os padres perseguidos, crucifixos eram destruídos e a religião combatida oficialmente.
Mas diante desse secularismo aparentemente reinante, o que inspira a juventude francesa a buscar o batismo? O que faz emergir esse tipo de fenômeno em um contexto de tantos desafios à fé cristã na Europa? O que faz a juventude francesa empreender uma busca por raízes espirituais e identidade? E mais, o que o cinema histórico pode ajudar a desvendar?

O cinema histórico de “Vencer ou Morrer” e a França
Os jovens franceses que hoje se aproximam da pia batismal, talvez sem saber, estão respondendo ao mesmo chamado que ecoou nos campos da Vendeia, na França, há mais de dois séculos: o chamado a viver com fidelidade, mesmo que o mundo diga o contrário.
A Guerra de Vendeia (1793-1796) é a história real que inspirou o longa-metragem “Vencer ou Morrer”, filme que apresenta o dramático momento para a França católica, quando camponeses e monarquistas se levantaram contra a Revolução Francesa para defender sua fé e tradições.
Com o nome original Vaincre ou mourir, o filme tem seu lançamento marcado para o dia 5 de junho, e retrata essa resistência, centrando-se na figura de François de Charette, líder do Exército Católico e Real. A produção destaca a luta pela liberdade religiosa e a preservação dos valores cristãos diante da opressão revolucionária.
A conexão entre os batismos recordes e a memória da Vendeia reside na contínua batalha pela fé. Assim como os vendeanos enfrentaram perseguições para manter sua crença, os jovens franceses de hoje buscam, através do batismo, reafirmar sua identidade cristã em uma sociedade cada vez mais secular.
Este movimento sugere uma nova geração disposta a viver e testemunhar sua fé com coragem, inspirando-se na história de resistência e fidelidade dos que os precederam.
Para aprofundar-se na história da Guerra da Vendeia, fica a indicação para assistir Vencer e Morrer, e conhecer essa história inspiradora, que pode tocar os sentimentos mais nobres não apenas de jovens, mas também de adultos que podem encontrar em uma experiência no cinema, uma oportunidade para renovar a fé.
VENCER OU MORRER – ESTREIA 5 DE JUNHO NOS CINEMAS
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