Imagem: Divulgação Pascom Brasil

59º Dia Mundial das Comunicações e o testamento comunicacional do Papa Francisco

“Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações” (cf. 1 Pd 3,15-16)

 

Há 59 anos a Igreja Católica celebra o Dia Mundial das Comunicações Sociais, única data estabelecida pelo documento Inter Mirífica do Concílio Vaticano II para refletir sobre o papel dos meios de comunicação na missão evangelizadora da Igreja. Sua realização se dá no domingo da Ascensão do Senhor Jesus, anterior à Solenidade de Pentecostes. Mais do que um evento para comunicadores católicos, a data provoca a todos a pensar na responsabilidade ética, humana e espiritual de quem comunica, envolvendo todos os agentes envolvidos na comunicação: consumidores, fiéis, empresas, profissionais, universidades e cientistas.

Nesse universo da comunicação, que ganha novos cenários após o continente digital ser descoberto – a internet – e habitado pelos missionários digitais, está o cinema católico, do qual a Kolbe Arte é uma das representantes legítimas no Brasil, sendo a distribuidora de filmes católicos que tem unido produtoras, agentes políticos e comunidade artística no fomento da cultura religiosa em nosso país.

Por isso, assumindo o compromisso confiado pela Igreja aos comunicadores, há 59 anos, a Kolbe Arte se dedica a refletir também a mensagem do Papa para este ano de 2025. E vive-la como missão.

Com mansidão e esperança, queremos refletir nesse artigo três pontos para o do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que estão relacionados a eventos importantes que irão acontecer neste ano de 2025: A mensagem do Papa Francisco, os Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – com categorias que envolvem o cinema e o Jubileu dos Missionários Digitais.

Primeiro ponto: a mensagem do Papa, “Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações”

No ano de 2025, o 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais teve um caráter ainda mais comovente: a mensagem assinada pelo Papa Francisco foi a última divulgada antes de sua morte. Com o tema retirado da Primeira Carta de Pedro — “Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações” (1 Pd 3,15-16) —, Francisco reafirmou a missão do comunicador cristão como alguém que transmite esperança, mesmo em meio à dor, à violência e à desinformação.

Segundo o Papa, comunicar a esperança “não é fazer propaganda religiosa ou conquistar adeptos, mas tornar visível a ação de Deus na vida das pessoas”. Francisco recorda que a esperança cristã nasce da experiência da misericórdia, e por isso não pode ser proclamada com arrogância, mas com mansidão e respeito — especialmente em ambientes digitais, onde os discursos de ódio e a polarização têm crescido

Destacam-se assim alguns pontos importantes da mensagem deste ano, publicada no dia 24 de janeiro (festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas). Ela sintetiza o que foi o estilo comunicacional de Francisco ao longo de todo o seu pontificado. Alguns dos principais pontos abordados incluem:

  • A mansidão como método: comunicar com brandura não é fraqueza, mas força de quem confia na verdade.
  • A escuta como base da comunicação: escutar antes de responder, acolher antes de julgar.
  • O testemunho de esperança: não se trata apenas de falar sobre Deus, mas de permitir que Ele transpareça em nossas ações.
  • A presença nas periferias digitais: o Papa reforça a importância de não abandonar os ambientes digitais, mas de evangelizá-los com responsabilidade e presença autêntica.

Segundo ponto: Os prêmios de Comunicação da CNBB e o cinema católico

No Brasil, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realiza os Prêmios de Comunicação, que chega em 2025 na sua 55ª edição, reconhecendo profissionais e obras que promovem valores humanos e cristãos em categorias diversas. Esses prêmios consolidam o compromisso da Igreja com uma comunicação de qualidade, comprometida com a ética e o serviço ao bem comum.

Os prêmios envolvem nove categorias: Margarida de Prata (cinema), Microfone de Prata (rádio), Dom Helder Câmara (imprensa), Clara de Assis (televisão), Dom Luciano Mendes de Almeida (ambiente virtual), Kerigma (Pastoral da Comunicação), Papa Francisco (teses e dissertações), Irmã Dorothy Stang e a categoria Carlo Acutis (publicidade e designer), que estreia neste ano de 2025.

A Kolbe Arte se inscreveu para concorrer nesta edição. Acreditamos que será um momento de grande importância para todos os comunicadores, mas, sobretudo, para refletirmos enquanto católicos sobre o consumo e as produções em nosso meio. Afinal, quando nos deparamos com desafios como falta de patrocínio para as produções audiovisuais e distribuição de filmes, falta de Leis de Incentivos culturais e o fechamento do mercado para produções católicas – no maior país católico do mundo – cabe uma reflexão: Os católicos apoiam as produções católicas? Os católicos frequentam os cinemas para prestigiarem essas produções? Ou temos deixado que esse espaço seja ocupado por produções contrárias aos nossos princípios e valores de nossa fé?

Quando a Igreja nos chama a ocupar de forma lícita os ambientes da comunicação, usando o rádio, a televisão, o jornal impresso, a publicidade e o cinema, é por acreditar que esses espaços são importantes para o anúncio do Evangelho e para proporcionar o encontro pessoal com Cristo.

Ao distribuirmos filmes católicos no Brasil, acreditamos que ocupamos um espaço importante em nosso direito de representatividade, afinal, em um país onde o livre credo é um direito, é importante também que os produtos culturais católicos também são importantes no cenário nacional. Assistir filmes católicos no cinema é muito mais do que entretenimento, é um ato de fé, uma vez que o cinema exerce uma grande importância para a construção do imaginário, para a formação, educação, além de transmitir e até consolidar valores e princípios que os filmes retratam.

Por isso a Kolbe Arte assume sua missão enquanto empresa como condição vital de nossa existência. Pensamos nisso em cada filme escolhido, em cada trabalho realizado pela equipe Kolbe, onde buscamos oferecer aos fieis católicos e pessoas que gostam de produções com valores cristãos, filmes que elevam para o céu.

Nosso mais novo lançamento, Vencer ou Morrer, com estreia marcada para o dia 5 de junho, reflete isso. Trouxemos para o Brasil o nosso primeiro filme distribuído de ficção, um longa-metragem francês que retrata a Guerra de Vendeia, uma contrarevolução que aconteceu entre 1793-1796, durante a Revolução Francesa. Uma perseguição contra os católicos que levou mais de 200 mil mortos e é considerado por muitos historiadores como  primeiro genocídio do ocidente na modernidade.

Apesar de distante no tempo, o tema é bem atual, pois nos lembrar não somente o direito de praticar a fé, mas, sobretudo, o dever de assumir o Evangelho em nossas vidas. Por isso, no dia 5 de junho, cumprindo a missão confiada aos católicos pelo documento Inter Mirífica, vá ao cinema assistir o filme Vencer ou Morrer. Nesse dia, ir ao cinema será mais do que uma escolha cultural, será um ato de fé e coragem.

Depois partilhem em nossas redes sociais o que acharam.

Terceiro ponto: O jubileu dos missionários digitais

Com o crescente protagonismo dos missionários digitais – jovens e adultos que, por meio das redes sociais, podcasts, vídeos no YouTube e conteúdos no Instagram e TikTok, evangelizam com criatividade e profundidade – a Igreja realizará neste ano, nos dias 28 e 29 de julho, o Jubileu dos Missionários Digitais.

No Brasil, esse sinal dos tempos já chegou, com o diálogo já estabelecido para a criação de uma pastoral que contemple o trabalho já realizado por esses missionários. Esses comunicadores – padres, leigos, religiosos, artistas e influenciadores católicos – que têm alcançado milhões de pessoas, levando palavras de fé, formação e acolhimento para além dos muros da Igreja.

Durante o trabalho de divulgação do filme Vencer ou Morrer, a Kolbe Arte sentiu a força e o apoio desses missionários no Dia dos Defensores da Fé – dia 22 de maio. Posts em colaboração, vídeos com mensagens e adesão à campanha, menções, posts nos  feeds. As redes sociais foram povoadas por ações desses missionários que fizeram circular na internet a mensagem dos que defendem a sua fé. “Eu defendo a minha fé”, todos diziam.

Assim, neste Dia das Comunicações Sociais, junto com os comunicadores e fieis da Igreja Universal, nos unimos em oração, com mansidão e esperança, para dizer que também estamos aqui – a Kolbe Arte está aqui – para a anunciar o Reino, para fazer chegar a todos os continentes o anúncio sempre atual do Deus Emanuel. Ele está no meio de nós, Ele é o Nosso Rei, Nosso Senhor, Nosso Grande Amor e por Ele queremos construir um mundo melhor através do nosso testemunho de fé.

E apesar de estarmos comentando uma carta do Papa Francisco, queremos trazer na lembrança a fala de nosso Papa Leão XIV, que no discurso após a sua eleição, antes de rezar uma Ave Maria com os fiéis, lembrou aos filhos da Igreja pelo mundo inteiro: Deus nos quer bem, não devemos temer o mal porque Deus quer o bem de todos nós. E irmãos, não há mensagem que possa tranquilizar os corações como esta. Deus nos ama e por isso nos quer bem e nos faz bem. E como consequência, só podemos deixar essa marca no mundo e com nossas vidas: o bem. E por isso, com mansidão e esperança no coração assumimos essa missão.

Por fim, continuando com a última mensagem deste 59º Dia Mundial das Comunicações Sociais, O Papa Francisco nos deixou um testamento comunicacional que condensa sua visão de Igreja: uma Igreja em saída, que fala ao coração, que acolhe com ternura e que não desiste de anunciar a esperança mesmo em meio à dor. Sua voz continuará ecoando entre jornalistas, cineastas, professores, influencers e todos aqueles que, como ele, acreditam que a comunicação é uma ferramenta essencial para construir pontes — não muros.

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